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	<title>Meu Quadrado - Idéias enlatadas.</title>
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		<title>Meu Quadrado - Idéias enlatadas.</title>
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		<title>AMÉLIA DESCARTÁVEL</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 22:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ela lava, ela passa, ela cozinha dos manjares ao feijão com bucho, sem abdicar por um segundo sequer do amor, da atenção, do cuidado. Ela é terna, ela é meiga, ela é sábia – uma mulher de verdade, embora existam muitos homens Amélias por aí, que não são menos de verdade só por não usarem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=161&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela lava, ela passa, ela cozinha dos manjares ao feijão com bucho, sem abdicar por um segundo sequer do amor, da atenção, do cuidado. Ela é terna, ela é meiga, ela é sábia – uma mulher de verdade, embora existam muitos homens Amélias por aí, que não são menos de verdade só por não usarem saias. A Amélia, espécime que hoje não está em extinção, mas por vergonha da moda antiga não dá mais as caras num relacionamento, acaba de ganhar sua versão descartável: ela faz tudo o que a versão tradicional faz e no final do serviço, a porta da rua é serventia da casa.</p>
<p>Triste, mas a sociedade confessa: é prazeroso ser o sol de alguém, mesmo que por alguns poucos momentos. Não há nada mais lisonjeiro que a mordomia exclusiva e voluntária de quem nutre bons sentimentos pela sua figura e não mede esforços para agradar e mostrar que ainda existem bons partidos nesse mundaréu libertino. Cedo ou tarde a tal metade da laranja aparece poeticamente, mas não vai demorar muito pra coisa azedar: a modernidade ensinou a descartar tudo muito rapidamente, não importa se é uma lata vazia de ervilhas ou o provável grande amor da sua vida.</p>
<p>Nunca me conformei com toda essa modernidade dos relacionamentos contemporâneos, que a meu ver, mostram mais uma involução afetiva da espécie humana do que o contrário tão defendido atualmente. Ingressar num desses amores relâmpagos é a melhor forma de perder um, dois, vários amores de verdade, várias Amélias que sintetizam em si mesmas a essência do ser feliz e não apenas do estar feliz. A volatilidade de um relacionamento contemporâneo tirou toda a graça da conquista e os tais bons partidos perderam espaço pra outros bons: os de cama, que são bem mais fáceis – e um pouco repugnantes. Toda essa carnalidade nutrida pela libido que domina qualquer razão e emoção, hora ou outra acaba: a paixão chega ao fim, o tesão deixa de existir, a pessoa perde o encanto. E talvez o mais surpreendente seja se descobrir nesse ínterim como a parte que sonhou, investiu e acreditou o bastante para traçar planos para o próximo mês que nunca hão de se realizar.</p>
<p>Você acaba sendo a Amélia, perene Amélia que não morre de coração partido. E não é que esteja errado, não: paixão tem mesmo que ser vivida, aproveitada, sentida. Sem condições. Mas é sempre bom lembrar que onde não tem reciprocidade, as Amélias viram sextoys. Não vai adiantar fazer feijão com bucho pra quem gosta de comer filé fora de casa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/161/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=161&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A FILHA VIADA</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 14:31:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Religião, política, futebol, sexualidade são assuntos que o bom senso (comum) manda não discutir, porque ele próprio pode desaparecer se isso for a pauta da conversa. Apesar de a premissa ser quase um bordão da boa convivência, às vezes a gente ouve alguém conversando sobre o assunto e, quando se espera uma indelicadeza de alguma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=156&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Religião, política, futebol, sexualidade são assuntos que o bom senso (comum) manda não discutir, porque ele próprio pode desaparecer se isso for a pauta da conversa. Apesar de a premissa ser quase um bordão da boa convivência, às vezes a gente ouve alguém conversando sobre o assunto e, quando se espera uma indelicadeza de alguma das partes, é contemplado com uma pequena dose de sabedoria, talvez fruto dos votos dela em abundância no ano novo. Chega a ser encontrada no balcão de uma lanchonete, entre uma coxinha aqui e um refresco acolá, um prato lavado e um cliente chateado.</p>
<p>Sou expert em prestar atenção na conversa dos outros. Mania feia, eu sei, mas às vezes os diálogos são tão interessantes que não ouvi-los chega a ser pecado menos venial que futricá-los – e tomar nota. No balcão de uma lanchonete ali na Goiás, enquanto eu comia qualquer besteira pra matar a fome, um senhor me pede licença e se senta quase em frente a mim. O rosto estava suado, perturbado, nitidamente fora do normal. Acena para o balconista, pede uma empada, um suco e nada que lembre mulher. Depois do choque, o balconista ironiza a situação de um velho virar viado (assim mesmo, com i) e o senhor confessa em resposta sua frustração: brigara com a filha ao telefone e exaltada, ela assumira seu lesbianismo. Pequei o bastante para encontrar e salientar alguns travessões da prosa:</p>
<p>- Olha, pior que um filho viado ou crente, é uma filha lésbica. Sempre dei tudo o que aquela desgraçada quis pra quê? Pra nada! Agora tá aí, se esfregando com menininha que era pra estar comigo, não com ela.</p>
<p>- Moço, cê é casado, num tinha que tá era com menininha nenhuma. Agora sua filha é uma desgraçada porque é viada? Fosse crente ou fosse p**a, é sua filha. Cês deram pra sua filha um coração, não é que ela foi mal educada. Quando a gente tem filho, quer que ele vire médico, católico, pai de família, mas às vezes ele é feliz vivendo o sonho dele e não do pai e da mãe. Ser feliz sem fazer mal pra ninguém, que mal tem?</p>
<p>- Quem falou que não faz mal? Claro que faz. O que vai ser da vida dela?</p>
<p>- Sinceridade? Pela primeira vez, vai ser a vida dela, não sua.</p>
<p>E o velho ficou engasgado sem nem tocar a empada, engoliu seco e saiu sem pagar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/156/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=156&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Torna-te quem tu és</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 13:14:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Frequentemente digo às pessoas com quem convivo que não tenho autoconhecimento suficiente para identificar qualquer traço de personalidade definitivamente meu, algo que venha de mim e comigo permaneça, que me pertença e seja de fato, particularidade minha. Por isso tarefas que envolvam qualquer forma de autodescrição acabam sendo sempre um suplício, um espetáculo mosaísta formado por fragmentos de comportamentos e atitudes que julgo suficientemente louváveis e passiveis de exposição, excluindo aquilo que sei que de alguma forma será reprovado ou possa me depreciar. Todavia, a personalidade de ninguém é definida pelo seu comportamento, por mais que ele possa refletir características íntimas do ser. A personalidade é muito mais abrangente do que simplesmente se ver e descrever em comportamentos, como adjetivos. Nós não nascemos para ser adjetivos. Somos substantivos, e justamente aí mora a diferença entre um aspecto comportamental observável, adjetivável, e o que se realmente é, essência, nome, substantivação.</p>
<p><a href="http://meuquadrado.files.wordpress.com/2011/11/split-personality1.jpg"><img class="size-medium wp-image-152 aligncenter" title="Split" src="http://meuquadrado.files.wordpress.com/2011/11/split-personality1.jpg?w=300&#038;h=231" alt="" width="300" height="231" /></a></p>
<p>Quando nos comportamos de determinada maneira, não estamos sendo essencialmente nós – é a simples resposta a um estímulo e, por essa razão, os comportamentos oscilam tanto entre um contexto e outro, entre uma realidade e outra, embora haja quem diga que a realidade é uma só. A personalidade, enquanto característica tipicamente humana, tem lá suas peculiaridades genéticas, seus princípios de sistematização, constituição e organização dentro do eu (o ser mais desconhecido já criado), suas formas de usar as experiências passadas do ser para a modelagem psíquica do homem do presente e do futuro. Diante disso, torna-se portentosa, mas ingrata e impossível missão, definir com base em nossos parcos conhecimentos sobre nós mesmos, aquilo que realmente somos.</p>
<p>Voltando à comparação entre substantivos e adjetivos, faça o teste. Em poucas palavras, tente descrever sua personalidade. Certamente você terá loquacidade ao descrever-se em adjetivos, qualificando-se com base em comportamentos que você observa em si, atitudes que você julga ter (podendo o julgamento ser verdadeiro ou não), atuação que possivelmente considera apresentar, terrivelmente viciada pelos seus anseios de ser ou não ser como você espera. Pasme, é impossível conhecer seu substantivo, aquilo que de fato você é. Ao menos sozinho.</p>
<p>Como frutos de uma constante interação social, relação constante com o mundo ao redor baseada no que tiramos de nós para oferecer aos outros e receber em troca, somos obviamente pautados pelo convívio com os semelhantes, que de jeito ou outro, se não nos molda, ao menos mete a mão na modelagem psicológica do indivíduo. Não quer dizer que a personalidade se forma pelo modo como você lida com sua mãe, ou com um amigo, mas que ela pode ser facilmente percebida pelo consenso entre cada um dos atores do processo relacional. Talvez um dos fatores mais relevantes para a formação da autoimagem seja justamente a forma como somos diante de outros e não diante do espelho. Quando passamos a perceber nosso substantivo, o que somos e não como somos, podemos talvez traçar um panorama sobre nós mesmos, próximo da realidade, mas nunca integralmente certo.</p>
<p>Não sou psicólogo. Construo tal percepção com base em meus preceitos, nada de científico. Se houver alguém que tenha lide com a psique humana, por favor, corrija o que deve ser corrigido. O cerne da questão que coloco aqui, a meu ver puramente leigo, é que a árdua tarefa proposta por Nietzsche de nos tornar quem somos, ou seja, de puro trato com a personalidade, talvez não seja tão simples como traçar objetivos e persegui-los. Antes, é preciso compreender o insuportável círculo vicioso do ser, que impele o indivíduo a se tornar determinado alguém e, logo em seguida, o estapeia com a realidade de que aquilo que se é sempre será inferior àquilo que se pode ser. Portanto, o célebre adágio nietzschiano não preestabelece por si só um alvo psíquico, que promete os louros do desenvolvimento pessoal a quem o atinja, mas pela essência da ideia, é uma prescrição de um constante processo evolutivo de si em relação a si mesmo e ao mundo.</p>
<p>“Torna-te quem tu és” talvez seja a mais difícil das recomendações filosóficas e, mesmo do ponto de vista psicológico, acredito não ser das tarefas mais fáceis. É impossível observar tal orientação sem um nítido discernimento daquilo que de fato somos, daquilo que forma nosso substantivo essencial e não os adjetivos de qualificação viciada ou não, sem o auxílio de quem nos vê. Aqui, é importante lembrar que o espelho sempre nos reflete invertidos e por isso, é fundamental que haja quem nos perceba com a destra na direita e a canhota na esquerda, nunca o contrário. Seja quem for (embora eu recomende um psicólogo), a importância do outro sujeito na autopercepção, na compreensão de si próprio, é fundamental.</p>
<p>De fato, aos buscarmos nos tornar quem somos, o benefício do autodesenvolvimento que a busca proporciona é inexorável – o aperfeiçoamento pessoal, como processo contínuo, é infinitamente maior para quem se envereda por tais trilhas. Entretanto, é importante ressaltar o eminente e constante mistério do autoconhecimento e um dos mais mordazes paradoxos que o conceito carrega consigo: só se conhece bem, quando nos deixamos ser conhecidos por outrem. Conseguir ser o que se é exige uma profunda expertise sobre o caminho e principalmente, sobre o ser.</p>
<p>Eu não tenho tal expertise. E francamente, preciso de alguém que tenha.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/148/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/148/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/148/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=148&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A INTERMINÁVEL DISTÂNCIA ENTRE OS DOIS LADOS DA CAMA</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 12:25:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele não parava de roçar os pés na cama, sem fazer barulho, mas constante o suficiente para incomodar a esposa com uma agonia que atravessava de um lado do colchão para o outro. Ele negava, mas algo o tinha deixado chateado. Os pés assim denunciavam e os anos de casamento ensinaram a mulher a perceber [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=143&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele não parava de roçar os pés na cama, sem fazer barulho, mas constante o suficiente para incomodar a esposa com uma agonia que atravessava de um lado do colchão para o outro. Ele negava, mas algo o tinha deixado chateado. Os pés assim denunciavam e os anos de casamento ensinaram a mulher a perceber essas insignificâncias cheias de significado numa vida a dois.</p>
<p>A esposa não quis perguntar ao marido, cama não é divã e se não se falavam direito em outras horas, à beira do sono falariam menos ainda. Questionou-se cruelmente se havia sido algo que fez e o desagradou, mas ele não era homem de emburrar. Inquiriu-se até sua autopiedade burlar a consciência e garantir a leveza do sono, sem sequer imaginar o que deixara o homem tão angustiado. Se ele quisesse, falaria.</p>
<p>Se abraçaram. Ele conteve o roçar dos pés por alguns minutos, mas voltou em seguida. Ela conteve sua ternura por algumas horas, mas cansou em seguida. A esposa pensou que dava amor demais. O homem pensou que não houvesse amor que acabasse com a aflição. E dormiram.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/143/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=143&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>VIADOS*</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 20:18:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sexta a tarde, quase noite, momento perfeito para se estar numa happy hour falando da nova assistente gostosa do chefe, do chefe, ou com o chefe. Mas ao invés de incharem as barrigas com mais chopp, decidiram reduzí-las (ou pelo menos tentariam) com uma não tão happy hour assim de corrida amadora, coisa de quem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=138&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sexta a tarde, quase noite, momento perfeito para se estar numa happy hour falando da nova assistente gostosa do chefe, do chefe, ou com o chefe. Mas ao invés de incharem as barrigas com mais chopp, decidiram reduzí-las (ou pelo menos tentariam) com uma não tão happy hour assim de corrida amadora, coisa de quem aprende no Globo Repórter que fazer exercícios com certa frequência é saudável e assim o faz, uma vez por ano, no horário de verão.</p>
<p>Um calçou seu melhor tênis de corrida, que nunca usou e por isso mesmo continuaria sendo o melhor, enquanto o outro escolheu aquele de estimação, surrado demais para a vida, mas ideal para um hobby que não se tem. Começaram a correr logo que saíram do trabalho e não se alongaram, nem fizeram aquecimento, coisas de boiola, estica aqui, estica ali e rapidinho se relaxa músculo que não pode.</p>
<p>Passaram já bufantes pelos pontos que marcavam 500, 1000 e 1500 metros e antes dos dois quilômetros já estavam suficientemente cansados para deixarem a corrida e irem adiante com uma caminhada branda. O melhor momento para se ver gostosas e falar sobre coisas que em outra situação não teria o mesmo gosto. Começaram pelo futebol, cai ou não cai, foram para a assistente boazuda do chefe, depois para o chefe, um comedor, sobre suas esposas, de novo a assistente, as duas gostosas que iam à frente, que bundinhas!, e então, que pouca vergonha, sobre viados, assim mesmo, com i.</p>
<p>Tinham visto dois rapazes boa pinta &#8211; homem mesmo nunca diz que o outro é bonito &#8211; correndo com certa descompostura, nada macho. As mulheres olhavam pensando no desperdício de testosterona, os homens olhavam porque também eram assim, meio frescos ou porque achavam aquilo um absurdo. O que iam dizer para os filhos? De certo modo, achavam reprovável que gays tivessem vida social fora das paredes, mas o lado bom é que quanto mais homens &#8211; de preferência bonitos &#8211; se emboiolassem, mais as mulheres estariam desesperadas e nem reparariam tanto assim nas barrigas dos machões &#8211; não tem tu, vai tu mesmo. Pensamento comum.</p>
<p>Enquanto caminhavam, puderam notar que os dois gays ou quase isso estavam bem vestidos, eram bem dispostos, tinham a dose certa de vaidade, falavam baixo e pela aparência, tinham uma vida no mínimo farta. Mas não comentaram pra não dar a entender que estavam reparando. Eles, os protagonistas, eram barrigudos, já entrando na calvície (ou a calvície entrando neles), eram grosseiros, trabalhavam muito e recebiam pouco. Cada um tinha sua esposa, um ou dois filhos e não entendiam porque as mulheres achavam os baitolas tão interessantes se não poderiam, sei lá, usá-los.</p>
<p>- Mas hoje em dia tem muita mulher que topa tudo, que seja só uma vez.<br />
- Se topa tudo, topa comigo. Pelo menos eu funciono.<br />
- Todo mundo funciona. Muda só o jeito de usar.<br />
- Vai dizer que aqueles dois pegariam uma mulher?<br />
- Talvez não, mas uma mulher poderia pegá-los.<br />
- A minha não toparia. Minha mulher gosta de macho.<br />
- Sua mulher gosta de homem. Se você fosse barrigudo e careca quando se conheceram, não teriam se casado.<br />
- É melhor ser avantajado na frente do que atrás. E além do mais, você tá na mesma.<br />
- Que você ou que os viados?<br />
- Pô, você tá em dúvida? Boiola.<br />
- Não! É que&#8230;</p>
<p>Felizmente, uma mulher gostosa correndo. Até uma mocinha tinha mais pique que os dois, o que não era bom &#8211; não porque os menosprezasse, mas porque teriam menos tempo para apreciar aquele par de coxas num short justo, um conjunto glúteo de dar água na boca e um balançado de tirar qualquer cabeça masculina do prumo. Homem tem desse defeito: fica olhando para uma coisa que ele não pode ter só para aumentar o desejo e a consequente frustração. Gosta de passar vontade.</p>
<p>- Olha, não mexendo comigo nem com filho meu, pode ser viado que não tô nem aí.<br />
- Com você ninguém mexeria mesmo, mas seu filho&#8230; Ele é que vai escolher daqui a uns anos.<br />
- Qual é? Meu garoto é homem e quando crescer vai ser igual o pai.<br />
- Homem todo viado é. Mas outro igual a você?<br />
- Macho.<br />
- Sei.<br />
- Ó os viadinhos lá na frente de novo. Estão com mais pique que nós.<br />
- Até que são mesmo ajeitados.<br />
- Tô te estranhando.<br />
- Vai dizer que são feios só porque são boiolas?<br />
- Homem que acha homem bonito não existe. Cê tá cortando pro outro lado?<br />
- Não. Só não sou preconceituoso.<br />
- Eu também não, mas que o que eles fazem deve doer, deve.<br />
- Você acha que boiola só faz sexo?<br />
- Não. Também entende de frescuras.<br />
- Mulher gosta de frescuras. Por isso acham viados legais.</p>
<p>Silêncio. Foram até o final do trajeto, cada qual mais ofegante que o outro, sempre reparando em todo par de pernas femininas que lhes passava à frente ou que vinha de lá pra cá. Torceram o pescoço várias vezes e resmungaram coisas que pareciam não elogios, mas o discurso de alguém que vai a um açougue escolher a carne do churrasco. Foram ultrapassados pelo par homossexual mais umas três ou quatro vezes, antes de um explodir em disparates, que o outro nem ouviu.</p>
<p>Já no caminho contrário, muito mais longo que o de ida por conta do cansaço, não resistiram e fizeram sua happy meia hour num boteco copo-sujo, duas cervejas, cachaça e uma porção de torresmo. Coisa de macho. Não, de troglodita. Repetiram os mesmos assuntos, falaram de futebol, da assistente do chefe, das esposas, assuntos esgotáveis, mas que homem faz ser in. Foi quando viram os dois gays passando novamente, dando talvez a última volta, sentindo o álcool entrar e a verdade sair.</p>
<p>- Safados.<br />
- Implicante.<br />
- Vou mijar.<br />
- Também quero, mas prefiro em casa. O vaso é limpo.<br />
- Você mija sentado? Viadinho. Por isso defende os boiolas.<br />
- Sim. Reduz a chance de câncer de próstata.<br />
- Viado. Vai correr com os dois.<br />
- Não posso. Um deles já pegou minha esposa.<br />
- Então não são boiolas?<br />
- Não. O outro está traçando a sua.<br />
- Viados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>*O texto, em nenhum momento, reflete a opinião do autor sobre homo ou heterossexualidade. As situações são fictícias e o autor não visa estimular a homofobia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/138/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=138&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A AINDA MAIS DURA VIDA DOS EVANGÉLICOS EM UM BRASIL CADA VEZ MAIS EVANGÉLICO</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 13:22:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O título não está errado. Reflexão a partir da reflexão de alguém  (íntegra aqui). A expansão da fé evangélica tem sido mesmo de uma fé evangélica? Pessoas sempre são um bom começo de texto. Olho para elas e vejo em cada uma um título, oportunidade de discorrer ludicamente sobre o que se deseja, por mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=129&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O título não está errado. Reflexão a partir da reflexão de alguém  (<a title="A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico" href="http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/11/dura-vida-dos-ateus-em-um-brasil-cada-vez-mais-evangelico.html" target="_blank">íntegra aqui</a>). A expansão da fé evangélica tem sido mesmo de uma fé evangélica?</strong></p>
<p>Pessoas sempre são um bom começo de texto. Olho para elas e vejo em cada uma um título, oportunidade de discorrer ludicamente sobre o que se deseja, por mais que o tema seja pra lá de delicado. Mas o mais interessante é que exceto as poesias que descrevem fantasiosamente o que as pessoas são, a grande maioria das palavras escritas falam sobre o que as pessoas fazem – comportamento quase sempre é a pauta, porque na verdade, a vida é feita disso e nada mais justo do que deixá-la fluir verborragicamente num papel ou numa tela. A grande dificuldade de discorrer sobre o comportamento humano é que ele é uma das mais inconsistentes características do homem e, ainda assim, não sei se por ignorância ou por cegueira, é fator de classificação e agregação taxonômica, só porque determinado grupo tem um, talvez dois pontos em comum. Não tudo.</p>
<p>Há pouco mais de dois anos me tornei – como dizem aqueles que encontram no termo “conversão” algo mais complexo e transcendental do que realmente é, quase uma afronta à tradição multimilenar – de outra religião. Nasci num berço católico, por pouco não fui coroinha de igreja e eis que de repente, mudei. Virei a casaca, torci pro outro time e, que absurdo, me tornei um evangélico. Talvez eu tenha me tornado uma estatística do laicismo nacional, desertor da maior nação católica do mundo para integrar uma minoria tão difamada por uma maioria tão ignorante, para não dizer negligente. Num país onde religião é nome de exército e não há tréguas ou alianças, resolvi deliberadamente migrar da trincheira para a linha de frente, bem embaixo das miras. Deixei conscientemente o posto de caçador para me tornar a caça.</p>
<p>Nesses dois anos e alguns dias, época em que tenho aprendido que o homem é mais que mero rótulo – ateu, católico, crente, espírita ou macumbeiro – e por isso mesmo, é digno de respeito seja lá qual for o seu credo, tenho visto também que na verdade, a tal taxonomia das religiões é balela das mais refinadas. Não se pode classificar o homem por aquilo que ele acredita, por aquilo que nem ele mesmo sabe explicar o que é, por aquilo que sequer a ciência – a mesma que abraça o ateísmo e beija o fundamentalismo religioso – traduz. Agregar ou segregar a sociedade com base em credos é, indubitavelmente, deliberar sobre qual erro escolher.</p>
<p>A jornalista “ateia” era de fato do bem, mas o taxista “evangélico” também era. Se, afinal de contas, o capeta seduz e dissimula sua personalidade para amealhar asseclas, um dos dois era então uma fraude. A moça sem Deus trabalhava, era gentil, educada. O moço com Deus era esforçado, fiel, ansioso por levar mais ovelhinhas a conhecerem a portentosa obra divina. Tem um demônio aí. Ou dois. O embate interno que leva a fé do outro em consideração e não a sua própria forma de analisar e criticar as muitas fés que surgem por aí, era nada mais que uma questão mal resolvida, para ambos. Se de Deus, do diabo ou da ignorância humana, ninguém sabe. A sabedoria, em essência, deve ter em seus manuais algum trecho que explique que cada caso, pasmem, é um caso. Não se pode colocar numa mesma classe ateus e ateus. Nem numa outra, evangélicos e evangélicos. É o mesmo que dizer que todos os países são igualmente ricos e politicamente amigáveis, que todas as doenças são homossintomáticas e curáveis, que todos os homens são honestos e de boa índole, só porque fazem parte, se é que fazem, de um mesmo grupo.</p>
<p>Há ateus que simplesmente não acreditam na existência de um ser superior, seja Deus ou deus. Há aqueles que, não bastando não acreditar, querem que os outros desacreditem também. Há os que assim são porque alguém comentou. Há ateus e ateus. Da mesma forma, há, como celebra o coloquialismo cego da época, crentes e crentes e, francamente, concordo com a jornalista quando ela diz que é difícil viver num mundo cada vez mais “evangélico”, onde há milagres nas prateleiras, curas com hora marcada e objetos que talvez Jesus tenha sido incapaz de criar em sua época, então seus discípulos criam hoje com a tecnologia disponível.</p>
<p>Aprendi desde que me tornei um, que “evangélico” (e isso pode ser uma novidade para muitos) é aquele que age conforme orienta o Evangelho. <em>Uau, que descoberta!</em> Se aquele que assim age está seguindo recomendações e não ordens, pode-se dizer que este indivíduo é então, genuinamente evangélico. Você é genuinamente alguém quando age genuinamente de acordo com as premissas para ser alguém. Só se é cidadão se estiver dentro das leis, só se é cristão se professar a fé em Cristo, só se é gente se o comportamento for de gente.</p>
<p>Por essa razão, é insuportável conviver com meus congêneres que não têm nada a ver comigo, gente que explora a fé dos outros para andar de iate, para se tornar deputado, para vender travesseiros mágicos. É triste, não nego. Assim como há ateus de respeito e ateus anticristo, antibuda, antikardec, antitudo; espíritas de paz interior e espíritas que arrancam a paz interior dos outros; há também evangélicos que seguem o evangelho e aqueles que não seguem, que são evangélicos somente pelo que se inscreve na porta da igreja.</p>
<p>Acredito que a tal taxonomia, que deixou tanta gente alienada e agrupou todo mundo como sendo a mesma coisa, será a verdadeira causa de conflitos e não aquilo em que as pessoas professam sua fé, ora ponderadamente, ora sem questionar. Sou evangélico apaixonado pela causa cristã, posso garantir que a fé me fez (e faz) uma pessoa melhor, sei que nada sou sem a presença de Deus na minha vida e sei que não sou melhor que um ateu, bem como o ateu não é melhor que ninguém. Quando me é permitido &#8211; e veja bem, quando posso, não quando quero &#8211; comento sobre minha fé, da mesma forma como um espírita também se abre comigo sobre sua crença e, <em>que absurdo!</em>, vivemos em paz!</p>
<p>Não sejamos suficientemente hipócritas para afirmar que não desejamos que as pessoas compartilhem conosco nossas crenças. Pensar assim é coisa do capeta, o de sentido sacrossanto ou aquele que habita no inferno da consciência. Toda fatia social precisa de certos preceitos comuns e se não há essa partilha, não há agrupamento. É bem verdade que a parábola do taxista se tornará uma verdade cada dia mais notória no cotidiano não somente nacional, mas mundial, sobretudo nos países menos intelectualizados, mas será mesmo que todos esses taxistas são, como dizem, evangélicos? Será que todos eles são frutos de uma eclesiologia mordazmente capitalista, puramente interessadas em dízimos e não mais na paz consigo mesmo e com Deus? Será mesmo que todo evangélico é alvo fácil de lavagem cerebral e manipulação pelo “clero crente”?</p>
<p>Acho prudente que haja uma maior disseminação do que se entende por “denominações evangélicas”, porque assim como há ateus que não são a melhor flor para se cheirar e fazem questão de dizer refutar tudo aquilo que você acredita, há também evangélicos, esses de verdade, que antes de uma irritante pretensão de ver o mundo todo pagando dízimo, preocupam-se em essência com o amor e o respeito entre os homens, em contraposição ao estigma estupidamente construído em torno do termo que os designa. Um dos maiores erros da sociologia contemporânea é colocar o catolicismo, o ateísmo, o evangelismo e tantas outras religiões como sendo uma coisa só, quando em todas elas as segregações internas alteram substancialmente suas reputações e a forma pela qual são percebidas pela grande massa.</p>
<p>Ao contrário dos amigos da jornalista, que se envergonham em dizer que são ateus, por medo das reações alheias, os meus amigos se orgulham em dizer que são evangélicos. Porque quem o é em verdade, não tem medo de professar sua fé e não vai impô-la ao outro. Quem é evangélico de verdade pode até querer que o outro também seja um, como dizem, crente (outro termo que a superficialidade crítica cunhou erroneamente), mas jamais vai violar a liberdade de escolha do outro, como fazem tantos ateus que me criticam por acreditar em algo que não vejo. Oras, eu não posso ver o vento e ele existe.</p>
<p>Me arriscaria a concluir que a tal liberdade de credo, a qual certamente a Constituição garante, não está sendo solapada. Pelo contrário, cada um agora pode acreditar no que bem entender ou no que bem o fazem entender, já que todos somos livres para crer, mas poucos conhecem a infinitude do pensar. Não deixa de ser curioso que no século XXI ser evangélico continue sendo visto como um grande e perene erro. Mas, depois que os métodos contraceptivos foram determinados como práticas pecaminosas e, isso sim com finalidades puramente mercadológicas para encher o mundo de gente abaixo da linha pobreza, mas que ajuda a ostentar o santíssimo rótulo de maior religião do mundo e ninguém fala nada – nem os ateus – nada mais me surpreende.</p>
<p>Se Deus realmente não existe, que o demônio da parcialidade também não exista.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=129&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>PANEM NÃO: SÓ O CIRCENSES</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 14:50:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Poderíamos ser o país da saúde, da educação, do desenvolvimento, da expectativa de vida. Poderíamos ser o país do que quiséssemos ser, mas preferimos ser o país do futebol. Infelizmente. E não é que os futebolistas de plantão não possam apreciar o esporte. Apenas poderiam apreciá-lo sem se esquecer de que não se vive dentro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=117&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poderíamos ser o país da saúde, da educação, do desenvolvimento, da expectativa de vida. Poderíamos ser o país do que quiséssemos ser, mas preferimos ser o país do futebol. Infelizmente.</p>
<p>E não é que os futebolistas de plantão não possam apreciar o esporte. Apenas poderiam apreciá-lo sem se esquecer de que não se vive dentro de um estádio de futebol. O excesso é sempre nocivo, de qualquer coisa. Há assuntos muito mais importantes a se saber e discutir, do que simplesmente o impasse do seu time do coração ir ou não para a segunda, terceira divisão. Como país, estamos na quinta divisão há muito tempo e ninguém fala nada.</p>
<p>Enquanto boa parte da sociedade faz de um campeonato o cerne de toda discussão, uma meia dúzia apenas debate sobre drogas, jovens e universidade. Outra meia dúzia reflete sobre pedofilia, promiscuidade e gravidez na adolescência. Uns aqui, outro acolá entendem como funciona de verdade o SUS, com suas muitas falhas, mas também muitas, muitíssimas virtudes. Pouquíssimos se dignam a apoiar a causa das PECs. Menos ainda são os que se rebelam contra a violência física, moral e intelectual do nosso tempo. Vivemos no meio de gente que gosta de ser estuprada, não literalmente, mas estuprada nas ideias: tudo vale a pena se a novela não é pequena. Se o futebol acontece três vezes por semana. Se o divertimento é garantido.</p>
<p>Ninguém descruza os braços para desfazer esse carrossel social que faz os brasileiros girarem sempre em torno dos mesmos problemas, sem perceber. Drogas, violência, corrupção existem desde que o mundo é mundo, mas ninguém se dá conta. Estão (estamos) todos presos ao sistema alienante, rodando estupidamente alegres, sem saber o porquê, em torno de uma catástrofe nacional iminente, camuflada em forma de circo, de novela, de futebol, de música chula, de hábitos duvidosos, de cultura tão profunda como um pires.</p>
<p>Eu me atreveria a dizer que somos o país não mais do futebol, mas do circo. Não faço menção ao pão, porque mesmo quando esse falta, o brasileiro se alimenta do espetáculo. Passa fome, mas ri. E faz piadinha no final.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/117/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=117&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O CRU ASSANDO*</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 02:24:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sabe, seu moço? Vou te contar quê que eu to fazendo aqui. Nós que vem da roça às vez tem uns poblema pra acostumar com as coisa dessas banda da cidade grande. Imagina só o senhor que ontem, ou ansdonte, num lembro direito, cheguei com meu menino maior na padaria, pra arranjar um trem prele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=112&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabe, seu moço? Vou te contar quê que eu to fazendo aqui. Nós que vem da roça às vez tem uns poblema pra acostumar com as coisa dessas banda da cidade grande. Imagina só o senhor que ontem, ou ansdonte, num lembro direito, cheguei com meu menino maior na padaria, pra arranjar um trem prele comer e levar pros outro menor que ficou em casa ajudando o pai. Cê deve saber que esse povo que capina come mais que lombriga de porco, uma comeria que dá gosto! Cê num há de ver que o menino já decorou o nome daqueles pão tudo? Óia, seu moço, ele pediu um tal de cruação, coração, maçã, num sei. Era um treco enroladinho com aquele queijo daqui da cidade grande, sem sustança e desbotado que só vendo! Um queijo magro e sem sal que dá dó docês aqui. Cru assando! Acho que é isso, o nome daquele pãozinho. Perguntei pro menino que história é essa de comer cru, mas ele disse que eu entendi mal. Num entendi patavina, hôme! Ele tava comendo um troço que num tava nem cru, nem assando, essas mania que ocês aqui da cidade grande tem, de querer comer só embondo. No meu tempo, quando aprendi a massar uns belo duns pão de queijo, mas com queijo de verdade, corado, amarelo&#8230; num é esses trem docês aqui na cidade que num tem cor não&#8230; a minha mãe falava que comer cru dava lombriga. Tinha que ficar assadinho e ai deu se eu abrisse antes dos pão ficar moreninho! Comer massa crua e capinar. Ô trem que faz comer igual sabão de soda! Deve de dar verme, só pode, solitária das brava. Eu até que avisei, sabe? Mas o menino cismou de comer o troço cru, do jeito que tava. E pior que me fez levar aquele treco pra todo mundo lá de casa. Eu podia jurar pro senhor que o Zé ia brigar com o menino maior, falando que aquele tal do cru assando num matava a fome e ia encher a barriga dos menor de lombriga. Sabe aqueles menino pobrinho que passa na televisão, barrigudo que parece que tem um neném embuchado lá dentro? O Zé acha que comer essas porquera da cidade faz dar aquela barriga e por isso, tem que comer é galinha com angu, pra dar sustança. Nós num somo gente pobre que a Globo precisa ajudar não! Seu moço, minha nossa senhora, uma das coisa que eu agradeço a Deus todo dia é por num faltar o de comer lá em casa, sabe? E só ia faltar o mais velho querendo botar os menor pra comer aqueles pão pra lá de esquisito, com o quintal cheio de galinha gorda pra matar. Cê num há de ver, seu moço, que quando o menino chegou com aquela pãozeira nas mão, o Zé e os pequenininho ficou tudo doido com ele? Comeram até dar barriga, mas barriga de saúde, não vai precisar de lombrigueiro. Os óio do Zé tava num brilho, que deu gosto! Nunca vi o home tão feliz assim, desde que o maior mudou pra cidade grande. Acho que foi os cru assando, só pode, porque acho que pai não tem amor de mãe, pai num embucha, num pare e nem dá leite. Até que o negócio é bão, mas não comi muito porque se eu pego uma lombriga, aquela casa desanda. Os irmãozinho ficaram tudo doidinho também, feliz toda vida. Acho que eles ficaram beirando o mais velho pra ver se tinha mais pão. Uma dó que meu menino maior precisa de voltar pra cá pro modo de trabalhar, senão eu deixava ele lá. Ele insistiu pra vimbora pra cidade, mas eu falei cum ele que se o poblema era os pão, eu comprava mais. O senhor sabe que ôns que eu pego pra ir na padaria onde compramo os cru assando?</p>
<p>&#8212;</p>
<p>*Baseado em fatos reais</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/112/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=112&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O EFEITO LARANJINHA</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 03:34:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Andam comentando por aí sobre o título deste artigo, ainda recente, mas que todo bom divinopolitano vai entender muito bem. Há alguns anos, um empresário teve a brilhante ideia de comercializar suco de laranja em toda a cidade, em carrinhos refrigerados que tinham o formato e a cor da fruta. O calor da estação era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=107&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Andam comentando por aí sobre o título deste artigo, ainda recente, mas que todo bom divinopolitano vai entender muito bem. Há alguns anos, um empresário teve a brilhante ideia de comercializar suco de laranja em toda a cidade, em carrinhos refrigerados que tinham o formato e a cor da fruta. O calor da estação era favorável à prosperidade do negócio e a ideia então foi bem recebida, inovadora e por alguns poucos dias, exclusiva.</p>
<p>Até que surgiram as tradicionais imitações, produzidas epidemicamente e em série. O volume de laranjas-móveis nas ruas de Divinópolis foi tão grande, que em pouco tempo a água se tornou mais rara que os sucos. Ironias aparte, a banalização da ideia foi tão intensa que rapidamente, o mercado já estava supersaturado e, sem lucros suficientes, todos os fornecedores – do original aos copiões – deixaram de existir.</p>
<p>Esse é o Efeito Laranjinha. Uma excelente ideia que acaba sendo obliterada pela pouca competência do empresariado em pensar, criar, inovar. Copiar a receita é infinitamente menos desgastante que começar do zero, embora seja essa uma prática pouco louvável. Mas ninguém parece se importar com isso. Afinal de contas, para quê perder noites de sono tentando engendrar um projeto que pode não dar certo, se alguém já descobriu a fórmula do sucesso, não é mesmo?</p>
<p>Ora, a resposta é simples: ideias repetidas não são rentáveis. Alguns críticos pessimistas – que nada mais são que pessoas que nunca estão satisfeitas com nada e se vangloriam por isso – dizem que essa é uma tendência enraizada no sangue divinopolitano em confecções, agências de propaganda, lanchonetes, concessionárias. Todas essas empresas provaram do elixir da prosperidade: o CTRL + C, CTRL + V. Mentira. Das mais descabidas.</p>
<p>O parasitismo corporativo existe em qualquer mercado e como cidade em expansão, conosco não poderia ser diferente. Ingenuidade de quem espera inaugurar uma revolução sem ser notado e, obviamente, copiado. Se no passado, as laranjinhas desapareceram rapidamente, é evidente o indício de pouca capacidade de inovação e resposta. Se hoje, as cópias baratas tiram o sono do empresariado local, é porque alguém pensou em algo fácil demais de ser reproduzido. Se você tem medo de sair do esconderijo em meio ao capitalismo selvagem e primata, é melhor mesmo que não saia. A concorrência está faminta.</p>
<p>A boa notícia é que para quem sabe trabalhar não existe concorrente e sim, contingente. Para esse público, pode vir a laranjinha que o gelo e o açúcar já estão prontos. Só não vale engarrafar o suco e vendê-lo nas ruas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=107&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O BRASIL DO BRASIL</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 03:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Artigo do início de dezembro do ano passado, quando dos confrontos no Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Poucas situações causam a mesma comoção generalizada que a guerrilha do Rio de Janeiro tem causado desde a última semana. Seja pela crueldade de uns, a valentia de outros ou puramente pelo excesso midiático, o confronto gera em nós, brasileiros de coração e documento, os mais variados sentimentos. Nuances de revolta e patriotismo, de perplexidade e de um audacioso desejo de se fazer justiça com as próprias mãos.</p>
<p>Embora seja impossível esquecer-nos da violência que permeia a Cidade (Quase) Maravilhosa, brilhantemente definida por Fernanda Abreu como o “purgatório da beleza e do caos”, deveria ser imprescindível também falar do que vem ocorrendo paralelamente aos conflitos. Algo que vem desafiando os mais carniceiros veículos jornalísticos. Que supera os limites do espetáculo sangrento ao qual estamos habituados. Algo que subsiste tímido nos corações de quem verdadeiramente ama este país.</p>
<p>O hastear da Bandeira Nacional no alto do morro mostra mais uma vez que somos indecentemente sonhadores, no melhor dos sentidos. Mexe com nosso brio. Com nosso civismo. E nos faz compreender melhor do que ninguém o significado da expressão “apesar dos pesares”. Apesar da corrupção, apesar da violência. Apesar de tudo, somos brasileiros do Brasil com S, coisa nossa, de mais ninguém.</p>
<p>Quando crianças, aprendemos na escola a nos sentir briosos ao ver a Bandeira Nacional. Mas não nos ensinaram que vê-la tremulando no alto do morro em meio ao caos, mostrando a hegemonia de toda uma pátria, era tão prazeroso.</p>
<p>Em algumas poucas imagens na TV ou na internet, pudemos nos despir do nosso pessimismo habitual que sempre ridiculariza as coisas do país. Abrimos mão das piadinhas e encaramos a situação em silêncio, mesmo que apenas por alguns segundos. Experimentamos brevemente a nudez do patriotismo, em essência, isenta de preconceitos.</p>
<p>Entretanto, ver a bandeira hasteada em meio à desordem significa bem mais que isso. Alguém, dono de ideias geniais, disse um dia que “o brasileiro não desiste nunca”. O símbolo-mor da nação, exibido explicitamente para quem quiser ver, demonstra nossa fascinante capacidade de não nos deixar abater, de não ser vencidos por uma meia dúzia de problemas.</p>
<p>Aquela flâmula deveria se tornar um monumento. Uma homenagem a mim, a você. Ao povo deste país, que sofre, mas vence. Um povo que às vezes chora de medo e logo depois, de alívio. Uma nação que sorri, feliz, lá no alto do morro, do Corcovado e do Alemão.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meuquadrado.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meuquadrado.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meuquadrado.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meuquadrado.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meuquadrado.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meuquadrado.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meuquadrado.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meuquadrado.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meuquadrado.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meuquadrado.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meuquadrado.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meuquadrado.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meuquadrado.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meuquadrado.wordpress.com/104/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meuquadrado.wordpress.com&amp;blog=3977457&amp;post=104&amp;subd=meuquadrado&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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