Arquivado em: Uncategorized | Tags: Corrida, Dialética, Hábito, Manhã, Marx, Vida
Hoje eu voltei a praticar exercícios físicos. Na verdade, desde março, quando tive minha última crise de “neurose-hipocondríaca” venho tentando retomar um hábito antigo: o de correr, uma hora por dia, todos os dias. Estamos no final de julho e, somente quatro meses depois é que finalmente consegui colocar meu plano em prática. Apesar disso, retomei meu singelo espírito de atleta, como se nunca tivesse trancafiado meu hobby atrás da porta. E claro, refleti sobre esse pequeno evento. Nem tão afundo, nem tão superficial, mas de um modo que me deixou suficientemente intrigado: quantas vezes deixamos de fazer o que sabemos, de mostrar o nosso talento por forças alheias a nós? Quantas vezes nossas boas idéias, sonhos, metas e planos são obliterados contra a nossa vontade? Não é uma reflexão muito conveniente, eu sei. Se são forças alheias a nós, cabe-nos pouco a fazer, ou quase nada.
Nessa minha retomada, não pude deixar de perceber que meu tênis parecia mais confortável, a calça tinha um caimento melhor, a jaqueta não era mais tão quente. Pasmaceiras e pieguice aparte, me serviu como exemplo, uma demonstração clara de quão melhores as coisas são quando deixamos de tê-las. Será possível, algum dia, darmos valor ao ambiente que nos circunda sem antes sentir sua falta? Não digo que tenhamos, obrigatoriamente, que perceber a ausência para valorizar a presença, mas acredito que, no fundo, é tudo como Marx já dizia, em sua dialética: se não houvesse a doença, não daríamos valor à saúde. Se não houvesse a morte, não compreenderíamos a notória beleza da vida, simples ou luxuosa, plácida ou arrogante. Se não houvesse algo que nos prendesse, não perceberíamos o quão valiosa é a liberdade.
Se não houvesse o tempo, estrangulado e decepado, não perceberíamos o quão macio e confortável é o solado de um All Star.
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